Chás Dançantes.




E por falar em cabeça raspada...

Eram os anos 30, tempo das “platinum blondes”.

Minha avó, a Cristiana original, com sua indissimulável cara de índia, resolve aderir à cor da moda. Convenhamos... aquilo tinha tudo pra dar errado.

Como não havia uma colorista em cada esquina, a solução foi doméstica e o resultado, fatal: perdeu todo o cabelo.

Muitas lágrimas e uma peruquinha depois, decidiu sair da clausura e voltar aos chás dançantes.

Eis que uma “amiga” cruel, de timbre igualmente insensível e agudo, faz cara de espanto e, diante de todos à mesa, exclama:

- Que horror, Christy! Soube que tu ficastes sem cabelo! Que pena fiquei de ti! Deves estar devastada.

Minha avó, numa reação absolutamente inesperada, salão lotado, retruca:

- Devastada? Que nada! Acho até que vou lançar moda! – e com um sorriso sarcástico, arranca a peruca e, dali por diante, passa a desfilar sua careca pelas ruas do Rio de Janeiro. Criou uma personagem, adotou batas longas e largas e foi considerada a primeira hippie da cidade.

Moral da estória? Jamais confronte uma Cristiana. O desfecho é imprevisível.



1 comentários:

  1. Incrível como, em todo lugar, em qualquer momento de nossas vidas há uma ""amiga" cruel" dessas, pronta para tentar nos desestabilizar. Infelizmente nem sempre temos esta presença de espírito da Dona Christy.

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Cristiana Beltrão

Esse blog surgiu da necessidade de organizar dicas de restaurantes, paradinhas, bares, mercados e bebidas ao redor do mundo para os amigos. De quebra, acabei contribuindo para jornais e revistas Brasil afora. Espero que gostem.